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4 de out de 2010

A ORTÓPTICA NO BRASIL - HISTÓRICO

A ORTÓPTICA NO BRASIL



Histórico






Profa. Dra. Maria Cecília Lapa


ORTOPTISTA


Professora Adjunto do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP


Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.






INTRODUÇÃO






A história da moderna motilidade extrínseca ocular e da Ortóptica teve início na Europa. O Brasil sofreu, especificamente, a influência dos acontecimentos e dos profissionais de origem inglesa.


Em 1919 Mary Maddox, filha do famoso oftalmologista Ernest Maddox, foi considerada a primeira ortoptista inglesa. Em Londres, propôs-se a divulgar um novo método de tratamento para o estrabismo, idealizado por seu pai. Por meio de conferências, aulas e apresentações de trabalho na Sociedade Inglesa de Oftalmologia, procurou sensibilizar tanto os médicos quanto a comunidade sobre o assunto. Em 1930 iniciou o treinamento de alunos para que pudessem realizar o tratamento ortóptico.


Em 1932 Dr. Legrand Hardy e Elizabeth Stark iniciaram a primeira clínica americana de Ortóptica na cidade de Nova York. Vinte anos depois em 1953, os Drs. Alfred Bangerter e Conrad Cüppers introduziram, na Europa, o tratamento pleóptico que dominou a terapia Ortóptica por muitos anos.


Reflexões, controvérsias e novas propostas para a Ortóptica surgem a partir de 1970 com os avanços nas pesquisas de Hubel e Wiesel sobre a organização e a plasticidade do sistema visual.






No BRASIL...


No Brasil, o interesse pela Ortóptica data de 1939 com a vinda do Dr. E. Cass, diretor do Hospital Saint Mary de Londres, para realizar conferências sobre estrabismo e despertar a curiosidade dos oftalmologistas brasileiros sobre esta especialidade.


Desde 1930, alguns dos grandes serviços oftalmológicos europeus insistiam na necessidade de reeducação ortóptica bem orientada como parte do tratamento da criança estrábica. Buscavam avaliar, se possível prevenir e recuperar seus distúrbios. Poucos eram os oftalmologistas no Brasil que se preocupavam com as seqüelas sensoriais da visão do estrábico e com a Visão Binocular. A maioria contra-indicava a cirurgia precoce insistindo que ela só devia ser realizada aos sete anos. Tinham a expectativa de que de que pudesse ocorrer a cura espontânea antes desta idade. Quase nada era feito em relação à ambliopia e muito menos quanto a sua prevenção. Seguia-se ainda a orientação do início do século XX.


A insatisfação do oftalmologista em relação ao resultado do tratamento do estrabismo era geral. No entanto, algumas exceções se destacavam em nosso meio pelo interesse, já à época, por um tratamento global do estrabismo que fosse além do aspecto estético.


Foi dentro deste panorama que Dr. Moacyr Álvaro, pioneiro da colaboração internacional para o progresso da oftalmologia, extraordinário realizador de idéias e organizador de atividades, antevendo os benefícios que poderiam advir para a oftalmologia com a introdução da Ortóptica em nosso meio, pesou as vantagens entre enviar alguém para um centro europeu aprender a reeducação Ortóptica com o compromisso de voltar e transmitir o aprendido ou trazer alguém de renome, experiente, reconhecidamente capacitado para ministrar um curso e formar o primeiro núcleo de profissionais no Brasil, optou pela segunda possibilidade. Procurou sentir a receptividade da idéia discutindo o assunto com alguns colegas e na sua primeira ida à Londres, foi ao Instituto de Oftalmologia da Universidade conversar com Duke Elder. Por sua indicação contatou Miss Mayou, ortoptista de renome do Moorfields Eye Hospital. Combinou sua vinda ao Brasil, em 1947, para ministrar em São Paulo o primeiro Curso, instalar a primeira clínica e orientar os alunos que constituíram o primeiro grupo de “Técnicos em Ortóptica” da América do Sul. Essa nova modalidade de serviço e depois os cursos que se seguiram, já organizados e ministrados pelo pessoal aqui formado, tiveram o patrocínio do Centro de Estudos de Oftalmologia (CEO), hoje C.E.O. Professor Moacyr Álvaro em homenagem ao seu fundador.


A primeira turma de Técnicos em Ortóptica formados no Brasil, como foram chamados estes profissionais até 1971, era constituída por seis pessoas, que já tinham uma formação profissional anterior, sendo inclusive dois deles, médicos oftalmologistas.


Fizeram parte deste grupo: Cacilda Gallo; Hilda Glasserfeld, Hildegard Braack, Ligia Alves Lima, Mariana Noronha e Olavo Pires Amarante. Foi uma turma muito atuante que fez germinar até hoje a semente lançada.


Como requisitos para matrícula no curso exigia-se diploma do magistério ou similar e bom conhecimento do idioma inglês. Nas turmas subseqüentes, curiosamente, houve boa participação de professores, sendo alguns deles comissionados pelos parques infantis em que trabalhavam. Este fato demonstra o interesse, já na época, das autoridades educacionais municipais pela participação destes profissionais na prevenção de problemas oftalmológicos na escola.






Os CURSOS...


A partir de 1957 o curso de formação do ortoptista se expandiu para outros estados. Foram instituídos no Brasil o curso do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Gama Filho e outros. Todos encerraram suas atividades.


Em 1962 o Curso em São Paulo passou a ser de responsabilidade da Escola Paulista de Medicina (EPM), hoje, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), coordenado pela Disciplina de Oftalmologia da Universidade sendo o ingresso do aluno na especialidade feito por meio de vestibular próprio.


Em 1970, o curso foi reestruturado por orientação do Ministério da Educação e Cultura (MEC), passando a ser oficial da UNIFESP-EPM.


Foi reconhecido pelo Conselho Federal de Educação em 16/10/1978 como curso de nível superior: decreto no 82412 publicado no Diário Oficial da União em 17/10/1978.


Até 1969 o diploma conferido a este profissional era expedido pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia. A partir de 1970 quando o Curso de São Paulo passou a ser oficial da UNIFESP e reconhecidamente de nível superior, os diplomas passaram a ser expedidos e registrados pela Universidade.


Nestes moldes seguiu o Curso da UNIFESP até 1987 quando por exigência do próprio mercado de trabalho e após consulta e discussão com a classe profissional atuante, o Curso foi reestruturado, com ampliação da carga horária e mudanças no conteúdo programático com inserção de novas disciplinas e com novo e amplo perfil profissional. O graduando da UNIFESP passou a ter dupla formação: Ortóptica e Tecnologia Oftálmica.


Com a graduação da 10ª turma com este padrão de formação, em 1998, o curso foi extinto e substituído pelo Curso de Tecnologia Oftálmica que vigora até hoje.


O tradicional Curso de Ortóptica da UNIFESP, ministrado pela instituição desde 1962, foi responsável pela formação de vários profissionais de diversos paises da América Latina como, Suriname, Peru, Colômbia e Bolívia entre outros. Alguns destes profissionais atuam até hoje como ortoptistas no seu lugar de origem ou em outros paises.


A partir de 1999, a UNIFESP passou a formar um outro profissional com características totalmente diversas, apto a atuar de forma diferente dentro da Oftalmologia, o Tecnólogo Oftálmico. Este novo profissional atua na área assistencial em diversas sub-especialidades da Oftalmologia: na área de administração em saúde; na industria de aparelhos oftalmológicos; no desenvolvimento de tecnologia e em pesquisa dentre outras.


Em 1974, foi instituído o curso de Ortóptica no Rio de Janeiro no Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação da Faculdade de Ciências da Saúde e Sociais IBMR, hoje universidade, Uni IBMR, que, no momento, é o único curso a formar o profissional no Brasil e América do Sul.


Ao longo de todos estes anos, muitos profissionais completaram sua formação realizando cursos de pós-graduação estrito-senso, nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado em diferentes áreas de concentração, como Educação Especial, Fisiopatologia Experimental, Saúde Pública, Distúrbios da Comunicação Humana, Ciências Visuais, Psicobiologia entre outras e mesmo em parcerias com centros de pesquisa no exterior. Demonstrando a qualidade da sua formação e sua capacidade de interação com diferentes áreas.






FONTE: http://www.cbort.com.br/artigos/artigos001.html










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