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8 de jun de 2013

A SÍNDROME DE IRLEN E O TESTE DE IRLEN



A Síndrome de Irlen (SI) é uma alteração visuoperceptual, também tem base neurológica e se manifesta com fotossensibilidade, desfocamento à leitura, restrição  do campo periférico, dificuldades na adaptação a contrastes como, por exemplo, figura-fundo, dificuldade em manter atenção visual e cefaleias frequentes. Ela está associada a alterações do córtex visual e déficits  do Sistema Magnocelular, que é parte importante na aquisição de informações do sistema visual sobre o  movimento e fundamental durante a leitura.
Esta alteração  tem um componente genético e famílias sempre tem outros casos, afetando ambos os sexos com manifestações variadas e intermitentes, algumas mais leves e outras mais graves, onde todas as manifestações estão presentes.
A SI  afeta todas as faixas etárias, inclusive 14% de seus portadores são bons leitores com inteligência superior à média.
A incidência da SI entre disléxicos, portadores de Déficits de Atenção e Hiperatividade e pessoas que sofreram  traumatismos cranianos é bem mais elevada, oscilando entre 33 a 55% dos casos. Nestes,  ao cuidarmos das manifestações associadas à SI, ocorre sensível melhora das dificuldades de aprendizado pela facilitação do processamento visual – potencializando assim as ações das psicopedagogas, fonoaudiólogas e professoras que lidam com estes pacientes.
A SI é bem conhecida em aproximadamente 40 países e vem sendo tratada desde meados dos anos 80.
É importante assinalar que as manifestações são desencadeadas ou agravadas por fatores ambientais estressantes como luminosidade, contraste, cores, volume elevado de texto por página, pressão continuada por desempenho, compreensão e tamanho das letras, texto, impressão, tipo e formato do texto.
Diante do esforço visual, as distorções visuais se instalam, dificultando a leitura, e podemos observar este fato pela tendência a esfregar os olhos constantemente, tampar ou fazer sombra sobre o papel durante a leitura, apertar e piscar os olhos, balançar e tombar a cabeça, cansaço após 10 a 15 minutos de leitura, lacrimejamento, prurido, ardência ocular, preferência pela penumbra, história familiar de dificuldades escolares; as dores de cabeça e enxaquecas são uma constante na maioria dos pacientes (82%).
As distorções visuais (desfocamento, linhas  brancas em meio ao texto, palavras tremendo ou sanfonando, rodando) fazem parte do dia a dia e ocorrem sempre que o estudante lê. O mais importante é que não se pode comparar com o colega ao lado – que evidentemente pode não estar tendo os mesmos problemas ao ler! E o indivíduo não relata suas distorções por que nunca leu de outra forma e assume que todos veem como ele.
Assim entende-se melhor porque um aluno que sabia “tudo”, ao sair de casa recebe uma nota muito aquém de sua real capacidade e ele mesmo não entende como isto ocorreu! O déficit não é de inteligência, mas sim na etapa visual do processamento – se houver dislexia associada, fica ainda mais difícil, porque outros déficits da rota fonoaudiológica se justapõem.
A SI pode afetar outras áreas acadêmicas como cópia, escrita, cálculos matemáticos, soletramento e uso do computador. Atenção, motivação, concentração e desempenho também podem ser afetados.
Muitas pessoas com SI relatam cansaço, dores de cabeça ou outros sintomas físicos quando lendo sob a influencia de luzes fluorescentes.
Algumas pessoas com SI não tem consciência de tal distúrbio e se consideram desajeitadas e descoordenadas, sem se darem conta que estes problemas são a parte aparente de uma dificuldade mais ampla.
Os sintomas associados com a SI não são detectados  por outros testes de percepção, de leitura, psicopedagógico, avaliação clínica ou oftalmológica; com também não melhoram com a idade, medicação ou outros tratamentos.
Quando a SI não é diagnosticada os indivíduos podem ser vistos como tendo problema de comportamento, de atitude, emocional e de motivação.
Por apresentarem problemas com a luz branca, não conseguem ser produtivos quando expostos a ela, podendo ser considerados “preguiçosos” ou “displicentes” ou se sentirem incompetentes.
          O TESTE DE IRLEN não é um método de instrução de leitura ou um substituto ao uso de medicação ou do apoio multidisciplinar e sim, um método que irá eliminar certa barreira de aprendizagem, permitindo que o indivíduo progrida com intervenções e instruções apropriadas.
Os diagnosticadores (screeners) – profissionais capacitados para a seleção de filtros, utilizando-se dos tais filtros, buscam encontrar a combinação de cores que irá eliminar apenas os comprimentos de onda responsáveis pelo stress visual que é a causa dos sintomas que acontecem na leitura, escrita ou computador e que não se obteve sucesso tratando com lentes adequadas(uso constante, contínuo e diário) e tratamento ortóptico.
O método Irlen das transparências é uma alternativa de baixo custo, não invasiva e que não envolve medicamentos.


Fontes:
Dra. Márcia Guimarães – Médica oftalmologista do Hospital de olhos Dr. Ricardo Guimarães, em Belo Horizonte, MG, com Doutorado em Qualidade da Visão e Visão de Cores pela UFMG; tem passagens  por Pós Graduação no França, Inglaterra e Estados Unidos; participação em Cursos de Pos Graduação  como Professora Assistente, adjunta e Docente convidada da UFMG e UNIFESP; dedica-se à clinica e pesquisa em Oftalmologia Clínica e Distúrbios de Aprendizagem relacionados à Visão. (www.dislexiadeleitura.com.br) (http://www.fundacaohospitaldeolhos.com.br/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=7&Itemid=6 )
Dr. Ricardo Guimarães - Médico oftalmologista  e Diretor do Hospital de olhos Dr. Ricardo Guimarães e Presidente da Fundação Hospital de Olhos, em Belo Horizonte, MG; Professor da UFMG.  (www.dislexiadeleitura.com.br)
 Helen H. Irlen  - Diretora Executiva do Centro Administrativo do Instituto Internacional Irlen, uma associação internacional para auxiliar crianças e adultos com problemas de percepção que afetam a leitura, o aprendizado e a atenção. Ela é reconhecida internacionalmente pela sua expertise no campo de percepção e deficiências de percepção.

Irlen é conferencista internacional, com inúmeras palestras ao redor do mundo. Seu método é divulgado em livros, artigos de revistas e jornais, programas de televisão e telejornais. A Dra. Helen Irlen criou após 5 anos de estudos subsidiados pelo governo americano o método Irlen para o tratamento dos distúrbios de aprendizagem e leitura através do uso de filtros espectrofotocromáticos apresentado perante a Associação Americana de Psicologia. Possui mais de 30 anos de experiência no campo de deficiência de aprendizado. Psicóloga escolar, Diretora do Programa de Adultos com Deficiência de Aprendizado da Universidade Estadual da Califórnia - Long Beach e Terapeuta licenciada especialista no trabalho com crianças, adultos e famílias com crianças portadoras de necessidades especiais.

O Instituto Irlen, criado há mais de 20 anos, funciona como centro internacional de apoio e referência aos 70 centros especializados distribuídos por mais de 34 países com cerca de 7000 especialistas treinados em sua aplicação. Sua missão é aumentar o conhecimento sobre as deficiências de percepção e como estas podem afetar a leitura, o aprendizado e a atenção. (
www.irlen.com)