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28 de out de 2012

2 reportagens que tratam do censo oftalmológico


Tem tabelas que não aparecem. Não consegui fazer com que aparecessem. Favor consultá-las no link da reportagem(coloquei abaixo no fim de cada uma): REPORTAGEM 1:

CENSO CBO
Raio-x da oftalmologia brasileira

Novo Censo Oftalmológico 2011, recém concluído pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia concluído aponta a real dimensão do crescimento do número de médicos oftalmologistas e a relação entre profissionais e população
Tatiana AlcaldeDez anos se passaram desde a primeira edição do Censo Oftalmológico. Entre 2001 e 2011, a população brasileira aumentou, assim como aqueles pacientes que são usuários de planos privados de saúde e claro, o número de médicos oftalmologistas também. A boa notícia, porém, é o aumento do número de municípios com atendimento regular (consultório instalado com atendimento semanal ou diário) - houve crescimento de 54%. “Nota-se uma interiorização da oftalmologia com a inclusão de municípios que recebem assistência”, afirma Paulo Augusto de Arruda Mello, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). “A distribuição poderia ser muito melhor, mas o Censo sinaliza uma melhora gradual ano após ano”, completa.
Em 2001, a população brasileira era de 169,5 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na época existiam 9.622 oftalmologistas, ou seja, um especialista para cada 17.620 habitantes, distribuídos em 677 cidades. Mesmo representando uma fração pequena (12,3% dos 5.507 municípios do país), elas concentravam 104,6 milhões de pessoas ou 61,8% da população.
A realidade hoje é esta: os oftalmologistas estão distribuídos em 1.211 cidades (21,8% dos 5.565 municípios), o que abrange 72,4% da população do Brasil ou 138,1 milhões de pessoas. Os outros 52,6 milhões de habitantes estão distribuídos em 4.354 municípios, pequenos em sua maioria.
Dos 190,7 milhões de habitantes no país (segundo dados do Censo Demográfico feito pelo IBGE), 15.719 são oftalmologistas. Com base nesses dados é possível afirmar que há um especialista para cada 12.134 habitantes.

Porém, para ter dados precisos sobre a rede de atendimento existente no Brasil, o novo Censo editado pelo CBO, identificou o número de médicos que atuam em mais de um município. “O censo de 2001 foi baseado no local de residência do médico. E isso não nos trazia um retrato fiel, já que interessa onde ele trabalha. Por exemplo, Cubatão tem poucos médicos que moram ali, mas tem médicos que exercem a oftalmologia e residem no Grande ABC ou em Santos. Por isso, o censo atual está baseado onde o médico exerce a profissão”, explica Mello. Constatou-se que cerca de 14% dos oftalmologistas exercem sua profissão em mais de um município. Por isso, para efeito de avaliação da distribuição de contingente, são considerados 17.956 médicos atuando na oftalmologia. O que altera a relação especialista/habitante para 1/10.622.

De norte a sul, de leste a oeste
Do total de oftalmologistas que atuam no Brasil, 56% concentra-se na região Sudeste (10.105 médicos). A região Nordeste vem em segundo lugar, com 3.236 profissionais (18%); Sul conta com 2.637 (15%); Centro-Oeste tem 1.420 (8%); e no Norte do país há 558 (3%).
9.477 oftalmologistas brasileiros atuam nas capitais, o que representa 53% dos profissionais no país. Em 2000, a porcentagem chegava a 60%.
Os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm mais oftalmologistas no interior do que na capital. Já, Amapá e Roraima só têm especialistas na capital. E Rondônia tem quase o mesmo número tanto na capital quanto no interior.

81% dos municípios (1.032) que contam com atendimento oftalmológico regular têm até dez profissionais em atividade. Já, 509 cidades contam com apenas um oftalmologista. Em 2001, o número de municípios nesta condição era 243 para um total de 677 cidades cobertas pela especialidade.
Cerca de 51% dos oftalmologistas brasileiros se concentram em 16 municípios, sendo 13 capitais e mais três cidades do interior de São Paulo (Santo André, Ribeirão Preto e Campinas). E 29 municípios contam com mais de 100 oftalmologistas.

Análise regional
As relações oftalmologista/habitantes mudam entre os Estados - vão desde um mínimo de 1/55.724 no Amapá, a um máximo de 1/4.279 no Distrito Federal.
Das 27 unidades federativas (26 Estados e um distrito federal), 15 apresentam relações oftalmologistas/habitantes menores que 1/17.000, que é a relação preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) (veja mais no box). Desses, 13 Estados contam com 15.311 oftalmologistas (84%) para uma população de 143.091.709 habitantes (75% do total do país).
Apenas cinco Estados (Amapá, Maranhão, Acre, Pará e Rondônia) apresentam uma relação oftalmologista/habitante maior do que 1/30.000, a relação apontada pela OMS para países em desenvolvimento. Já, os Estados das regiões Sudeste e Sul mantêm uma relação de um especialista para até 11.000 habitantes.
Excluindo-se o Distrito Federal (apenas um município e com cobertura de 100% na assistência oftalmológica), o Rio de Janeiro apresenta a maior porcentagem de cidades com oftalmologistas: 69%. Em 2001, o percentual de municípios com oftalmologista no Estado era 41%. Na sequência, São Paulo e Espírito Santo aparecem em segundo lugar, ambos com 44%, e são seguidos por Mato Grosso do Sul (30%) e Ceará (28%). Em 2001, Mato Grosso do Sul ocupava a terceira posição e Ceará, que nem aparecia na lista dos cinco primeiros Estados com maior percentagem de municípios com oftalmologistas, ultrapassou o Rio Grande do Sul.
Em 2000, oito Estados contavam com oftalmologistas em menos de 5% de seus municípios. Dez anos depois, somente o Piauí manteve a menor cobertura (5%). O Acre também manteve o mesmo percentual de municípios com oftalmologistas (9%). Em contrapartida, o Estado do Rio de Janeiro é o que obteve o maior crescimento (28%).

Discrepância
Apesar da interiorização da oftalmologia, com mais cidades cobertas com assistência, ainda há diferenças significativas tanto para mais, quanto para menos entre as regiões brasileiras. Poucos lugares contam com o número ideal de especialistas (um oftalmologista para 17.000 habitantes). Na maioria de municípios, ou falta ou sobra oftalmologista. “A questão central é a disposição desses profissionais”, comenta Paulo Augusto de Arruda Mello, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
As áreas mais excluídas em termo de densidade são as de maior carência e as menos privilegiadas economicamente. Isso acontece por falta de cursos de especialização ou residência que atraiam os futuros médicos bem como a falta de perspectiva futura. “Salário combinado com plano de carreira pode contribuir para mudar esse cenário”, aponta Mello. “Mas o que determina a fixação do médico em uma cidade é a residência ou o curso de especialização. O futuro médico acaba a faculdade e sai à procura de residência e para isso, muitas vezes, deixa sua cidade de origem. Por isso, é fundamental o desenvolvimento de residência ou especialização nas áreas do Brasil onde não existe”, finaliza.


Maior e menor densidadeA cidade Serra da Saudade tem um oftalmologista para 68 habitantes e Santa Efigênia de Minas, um para 768 habitantes. Ambos estão em Minas Gerais e são os dois municípios no interior com as maiores densidades do País. Entre as capitais, encontramos as maiores densidades em Belo Horizonte (1/2.911) e em Vitória (1/1.903).
Entre as cidades com a menor densidade (ou seja, poucos oftalmologistas para uma grande população), estão Águas Lindas de Goiás (GO), Codó (MA) e Itapipoca (CE), Várzea Paulista (SP), Paritins (AM): há um oftalmologista para pelo menos 100.000 habitantes.
Relação adequada
O Censo Oftalmológico 2011 manteve como ideal a relação oftalmologista/habitantes entre 1/17.000 e 1/18.000 e que no estudo de 2001 foi estabelecida com base nos dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Metodologia
Os dados usados no estudo foram obtidos a partir do cruzamento de informações levantadas para o Censo Oftalmológico 2011 com as disponibilizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ao final de 2010.
Em relação ao censo de 2001, o novo considera três fatores: o cadastro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (também usado há dez anos); a parceria com empresas do segmento oftalmológico (Allergan, Essilor e Opto Eletrônica), que compartilharam seus bancos de dados; e a identificação do profissional de oftalmologia em seus locais de trabalho.





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REPORTAGEM 2:
Mercado de trabalho: perspectivas para o futuro
Na contramão do crescimento populacional, aumenta o número de oftalmologistas no país. Levantamento estatístico que atualiza dados do mercado e reflete tendências nacionais aponta para desequilíbrio entre oferta e demanda por profissional da especialidade
Ramon Coral GhanemImportantes modificações ocorreram no mercado de trabalho oftalmológico desde o último censo realizado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), em 2001, sob coordenação do dr. Henrique Kikuta. Na época, o Brasil possuía 5.507 municípios e a população era de 169.500.000 pessoas. Apenas 677 (12,3%) municípios tinham oftalmologistas, totalizando 9.622 profissionais. A proporção no território nacional era de um oftalmologista para cada 17.620 habitantes. A proporção ideal de oftalmologistas por habitantes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), seria de 1/20.000 e, segundo o CBO, 1/17.000. Portanto, em 2001 a proporção estava adequada. Pecávamos, entretanto, em relação à distribuição desses profissionais, com grande variabilidade entre os estados e regiões. Na região Sudeste a proporção era de 1/12.483, no Sul 1/19.511, no Centro-Oeste 1/18.942, no Nordeste 1/28.296 e no Norte 1/51.680. Os estados com maior densidade eram Rio de Janeiro (1/9.263), Distrito Federal (1/9.503) e São Paulo (1/12.077); e o com menor, o Amapá (1/79.307).

Significantes mudanças ocorreram na densidade e distribuição dos oftalmologistas de 2001 até hoje. A população brasileira cresce em ritmo lento, com tendência a queda. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram taxas médias progressivamente menores de crescimento anual: em torno de 2% na década de 80; 1,5% na década de 90 e 1,2% na década atual. A estimativa para 2010 é de somente 1,08%.

Por outro lado, o número de oftalmologistas vem crescendo a passos largos – conforme o CBO em 2001, cerca de 800 novos/ano, ou seja, mais de 8% ao ano. Somos, atualmente, quase 15 mil oftalmologistas para uma população de 187.885.996 habitantes, o que representa um oftalmologista para cada 13.000 habitantes, uma das maiores proporções no mundo. O aumento populacional no período de 2001 a 2008 foi de 10,8%, enquanto o número de oftalmologistas cresceu 50,7%.

#i1# Situação em Santa Catarina
O levantamento estatístico que realizamos em Santa Catarina (SC), para o XVIII Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual em 2008, mostra dados atualizados referentes à oftalmologia no estado que refletem, pelo menos em parte, as tendências nacionais.

O estado é composto por 293 municípios e apresenta uma população de 6.052.587 habitantes. Atualmente, contamos com 311 oftalmologistas divididos em 46 municípios, que correspondem a 63% da população. A relação oftalmologista/habitante em SC é de 1/19.461, e dentre os 46 municípios com oftalmologistas, de 1/12.229. O aumento populacional no período de 2001 a 2008 foi de 13,5%, e o número de oftalmologistas cresceu 42,7%. O número de vagas para curso de especialização (residência médica), reconhecido pelo CBO, é somente de 6 vagas/ano, o que faz crer que a maioria dos novos oftalmologistas tenha tido formação em outras regiões ou tenha adquirido título por meio da prova do CBO. O número de faculdades de medicina no estado, entretanto, aumentou significativamente nos últimos dez anos, passando de dois para dez; um aumento de 300% no número de vagas.

Em 2001, 12,6% dos municípios de SC contavam com oftalmologistas; hoje são 15,7%, o que demonstra uma ligeira melhora na distribuição. Os maiores municípios “sem” oftalmologistas são Palhoça, com 128.000 habitantes, e Biguaçu, com 55.000 habitantes. Estes, entretanto, encontram-se muito próximos a Florianópolis, a capital, que conta com a maior densidade de oftalmologistas do estado (1/4.678). Como se observa, a avaliação dos municípios de forma individual pode levar a importantes distorções na proporção oftalmologista por habitante, não refletindo a situação real.

Segundo o IBGE, Santa Catarina pode ser dividida em seis mesorregiões, e nesta pesquisa as mesorregiões foram utilizadas para a avaliação regional. Na Figura 1 observam-se as seis mesorregiões catarinenses e a relação oftalmologista por habitante. A densidade de oftalmologistas é anotada na cor verde quando é menor do que 1/18.000 (“carente”), amarelo quando está entre 1/17.000 e 1/18.000 (“adequado”) e vermelho quando é maior do que 1/17.000 (“saturado”). Nas tabelas 1 a 6 podem ser observados os principais municípios de cada mesorregião, o número de habitantes e de oftalmologistas, a relação oftalmologista por habitante e o aumento de oftalmologistas ocorrido desde 2001.

Percebemos, assim, que Santa Catarina apresenta um número adequado de oftalmologistas, com razoável distribuição regional. O aumento do número de oftalmologistas, entretanto, é muito superior ao aumento populacional, o que nos próximos anos ocasionará uma superpopulação desses profissionais. O rápido aumento do número de escolas médicas em Santa Catarina, fato que vem ocorrendo também em outros estados, é outro fator que contribuirá para esse desequilíbrio, lembrando que a maioria das novas escolas ainda não graduou suas primeiras turmas. Esses fatores nos levam a acreditar que o mercado de trabalho para o oftalmologista será cada vez mais difícil.

Concluindo, as principais cidades de Santa Catarina, como as principais cidades do Brasil, apresentam um número de oftalmologistas adequado ou até excessivo, mas, apesar disso, a população que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) sofre com extensas filas para atendimento oftalmológico. Isso se deve, principalmente, ao fato de poucos desses oftalmologistas atenderem pelo SUS.

A dificuldade para o credenciamento, a baixa remuneração e a ausência de infra-estrutura adequada, tanto ambulatorial como hospitalar, são os principais responsáveis por isso. As escassas verbas destinadas à oftalmologia, a dificuldade ao acesso e a burocracia do sistema têm limitado também o número de atendimentos e a realização de cirurgias pelo SUS, gerando longas esperas, como dois a três anos para cirurgias de catarata, a maior causa de cegueira no país.

Hoje, no Brasil, segundo o dr. Newton Kara José, são realizadas anualmente 250.000 cirurgias de catarata pelo SUS e seriam necessárias cerca de 900.000 para suprir nossa necessidade. Esses dados são muito bem apresentados nos Anais do II Fórum Nacional de Saúde Ocular, organizado pelos drs. Marcos Ávila e João Eugênio de Medeiros e pelo CBO, livro de leitura obrigatória para a classe oftalmológica.


Ramon Coral Ghanem é oftalmologista do Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem, Joinville/SC; com residência e preceptoria em oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP-SP); fellow em cirurgia refrativa e córnea no Massachusetts Eye and Ear Infirmary, Harvard Medical School, Boston-USA; pós-graduando, em nível de doutorado, pela USP-SP


fonte: http://www.universovisual.com.br/publisher/preview.php?edicao=1208&id_mat=3657