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4 de set de 2011

Bullyng não é brincadeira

Aluno do ensino básico apanha na escola e é obrigado a pagar o lanche de colega diariamente; mulher recebe ligações anônimas com insinuações sobre o comportamento do marido; garota tem sua reputação comprometida por boato espalhado na rede social. Os três são personagens de histórias que chegam ao nosso conhecimento no dia a dia e têm em comum o fato de serem vítimas de bullying, fenômeno social que acontece em todos os países e classes sociais, indistintamente.







O bullying tomou tal proporção que passou a exigir iniciativas dos órgãos públicos. Recentemente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou uma cartilha com dicas para combater obullying, fenômeno social mundial que acontece principalmente nas escolas e nas redes sociais.






Só que o fenômeno, ao contrário do que muitos pensam, não é recente. Na avaliação da dra. Ivete Gianfaldoni Gattás, psiquiatra da infância e adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Upia), do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, os bullies, ou valentões, sempre existiram. “O aumento da notícia dos atos chamados bullying se deve à maior abrangência e rapidez dos meios de comunicação, bem como ao aumento populacional e à contenção social mais frouxa.” [Image] A definição de bullying (em português, “intimidação”) é a de ato de violência física ou psicológica, intencional, repetido, praticado por um indivíduo (bully = valentão) ou por um grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar, agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz de se defender. “Obullying se caracteriza basicamente pela combinação intimidação/humilhação”, explica a especialista. “A diferença entre o bullying e a agressão comum se dá no fato de não envolver necessariamente a violência física, pela repetição do ato, pela impossibilidade de defesa do intimidado e de haver crença na força do silêncio da vítima.”






Ela explica que o bullying não se restringe somente ao ambiente escolar ou de trabalho, está na internet e em todas as redes sociais, em casa, na vizinhança, etc. “A escola é o ambiente social prioritário de crianças e jovens, e é por isso que o bullying ocorre com alguma frequência nela, pode ocorrer tanto na forma aluno-aluno como na professor-aluno, e de várias formas, como colocação de apelidos, roubo de dinheiro ou lanche contumaz, agressão física etc. E ocorre mais frequentemente em áreas escolares de supervisão adulta mínima ou inexistente. Com relação ao bullying professor-aluno, mais comumente se dá pela humilhação e pela parcialidade nas correções de tarefas ou provas.”






Outra forma bastante comum nos dias de hoje é o ciberbullying, que ocorre no espaço virtual, sem identificação do agressor. As formas mais comuns de intimidação acontecem por meio de insultos e xingamentos, fofocas, roubo de senhas, envio de fotos embaraçosas e compartilhamento de informações particulares. Já no ambiente de trabalho, normalmente se dá por intimidação regular e persistente, muitas vezes aceita ou mesmo encorajada como parte da cultura da organização.






O combate ao bullying pode se dar de várias formas: a primeira delas é encorajar a vítima a não se calar, pois esta é a principal arma do intimidador. Nas escolas, em especial, deve ser adotada tolerância zero ao bullying, com orientação constante a alunos, professores e pais. “Os pais das crianças vítimas debullying devem acolhê-las e protegê-las, usando a lei para que providências possam ser tomadas (por exemplo, o ECA, Lei nº. 8.069/90, que prevê aos jovens infratores a aplicação de medidas socioeducativas proporcionais ao ato praticado). Além disso, devem tratar os possíveis desfechos, como sintomas de ansiedade, depressão e recusa escolar, com a ajuda de um profissional”, diz a dra. Ivete.






Já nas empresas, devem ser adotados programas de esclarecimento e proteção às vitimas de bullying, além de programas constantes de aprimoramento do relacionamento profissional. “Os dirigentes das empresas devem, primeiramente, dar um bom exemplo no relacionamento com seus subordinados”, finaliza a psiquiatra.


fonte:http://www.spdm.org.br/site/images/stories/boletins/spdm_12_2011.htm#10